quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

ENTÃO FOI NATAL, UM SERMÃO

INTRODUÇÃO

Nunca falei isso para a igreja, mas gostaria de dizer que não gosto do Natal. Não o suporto. Não gosto do Natal promovido por Mamon (deus dinheiro) e seu desejo insaciável em nos ver gastar, gastar e gastar. Não gosto do Natal que somente enche os supermercados e shopping centers das grandes cidades. Não gosto do Natal que tem como única finalidade enfeitar as cidades de luzes enquanto a vida de muitos se encontra em trevas. Não gosto do Natal que se resume a uma ceia e troca de presentes. Não gosto do Natal que abandona a Mensagem poderosa do Evangelho por meras felicitações vazias de “feliz natal”. Não gosto do Natal que retira Jesus do centro para colocar em seu lugar a figura de um senhor barbudo que serve somente para atender o desejo de pessoas egoístas. 

Mas qual Natal que eu gosto? Gosto do Natal onde Jesus é o centro. Sua vontade é absoluta, seu querer, inquestionável. Gosto do Natal repleto de pessoas que reconhecem seu pecado diante de um Jesus que é santo, santo, santo. Gosto do Natal proclamado por pessoas que ao seguirem Jesus se tornaram não pisca-pisca, mas sim estrelas numa época de trevas. Gosto do Natal que proclama a boa notícia de que Deus veio ao nosso mundo para nunca mais nos deixar. 

A SECULARIZAÇÃO DO NATAL

Muitos dizem que o natal é uma festa pagã. Nada disso. O natal foi a substituição de uma festa pagã. No entanto, a natureza religiosa dessa festa foi aos poucos sendo substituída por elementos de uma sociedade secularizada, avessa a qualquer coisa que tem relação com a tradição judaico-cristã. Não se iludam, o natal só é uma festa popular porque se tornou uma celebração secular. Não se conta a história da encarnação de Deus, antes, fala-se de um velhinho que viaja em um trenó e que entra pela chaminé das casas para entregar presentes. Não se diz que Deus ouve nossas orações, dizem que o bom velhinho lê as cartas das crianças. Não se ouve o anúncio de que Jesus ao cumprir sua missão voltou à dimensão de Deus, o céu. Fala-se que após o Natal o papai Noel volta para sua terra, o Polo Norte. Muitos sabem lidar com a figura do bom velhinho, mas ficam desconcertados com a realidade do Jesus que é Senhor sobre tudo. Que esse não seja a realidade de nosso Natal.

MAS AFINAL DE CONTAS, O QUE É O NATAL?

O Natal foi o dia da invasão de Deus, o momento em que ele desembarcou em nosso mundo (Gl.4.4; Jo.1.14). O dia que Deus armou sua tenda entre nós. Como diria C. S. Lewis, Deus invadiu nosso território já ocupado por muitos inimigos. O Natal celebra a arriscada operação de resgate que Deus elaborou. O profeta Isaias previu que um dia Deus arregaçaria as mangas mostrando seu forte braço de salvação (Is.52.10). No entanto, Deus é alguém que sempre pensa fora da caixa. Como seria seu forte braço? Nada melhor que o braço nu de uma criança (Lc. 2.6,7). Para nosso espanto, Deus se tornou um menino, aquele que sempre existiu antes de todas as coisas. Maria segurou em seus braços esse Deus que se fez menino.

O que poderíamos dizer num momento desses? Não há o que dizer. Só há espaço para celebração, e foi isso o que os anjos fizeram (Lc. 2.10-14). O renomado teólogo Leonardo Boff capitou muito bem esse fato quando disse: “Todo menino quer ser homem. Todo homem quer ser rei. Todo rei quer ser Deus. Só Deus quis ser menino. Humano assim como Jesus, só Deus mesmo”. Deus pede para que nos tornemos como uma criança, porque um dia ele mesmo se tornou um menino. 

O Natal celebra a festa da grande inversão, do dia em que Deus começou a colocar nosso mundo de cabeça para baixo. Deus está transformando esse mundo. O Natal nos leva a acreditar nisso. Deus está redefinindo esse mundo. Como ele faz isso? Ele começou com um menino na manjedoura. O braço daquela criança criou músculos e começou a curar muitas pessoas, a alimentar multidões, a estender a mão para muitos oprimidos e marginalizados e por fim seu braço ficou pregado em uma cruz. Lá, naquele momento, aparentemente sem poder fazer nada, Deus estava salvando sua criação. 

O Natal celebra a continuidade do agir dos braços desse Deus que se fez menino. Agora a grande revolução não ocorre com uma criança na manjedoura, mas através do pobre de espírito, dos que choram, dos humildes, dos que têm fome e sede de justiça, dos misericordiosos, dos puro de coração, dos pacificadores. Faz parte de sua estratégia subversiva mudar o mundo por meio do insignificante. Enquanto o filósofo Nietzsche falou do super-homem que devemos nos tornar, o Natal pede para anunciarmos a vinda do Deus que se fez menino. 

E nunca se esqueçam, Aslam está voltando. Em breve ele aparecerá. Ele está de mudança. A porta do guarda-roupa será aberta e em breve o veremos. O Deus que se fez menino. O menino que se tornou homem. O homem que foi exaltado à direita de Deus. 

Feliz Natal.

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