sexta-feira, 27 de maio de 2016

UM TESTEMUNHO DE QUEM FOI JESUS

Se pudéssemos voltar ao primeiro século e perguntássemos a algum judeu-cristão quem foi Jesus, ele poderia nos responder mais ou menos isso:

Bem, sobre essa pergunta, eu posso lhe dizer que ele foi um homem notável. É claro que seu nome era bastante comum, mas somente ele foi o único que encarnou o seu verdadeiro significado, O SENHOR SALVA. Sua família era pobre. Seu pai, inclusive, era um carpinteiro, profissão esta que ele mesmo herdou. Muito cedo Jesus assumiu a responsabilidade pelo cuidado de sua mãe Maria e de seus demais irmãos. Parece que José morreu ainda quando Jesus era muito jovem.
 
O que espantou as pessoas em nossa época é que Jesus não teve nenhum treinamento profissional – se teve, não sabemos – que o tornasse aquele grande mestre e pregador que foi. Sua sabedoria e rapidez de raciocínio eram de admirar. Digo isso porque ele veio da cidade de Nazaré, lá da Galileia. Que coisa hein!
Ele realizou feitos que existiam somente em nossa memória, algo que poderíamos comparar às narrativas do Êxodo, em suas vívidas descrições do poder de Deus. Tinha-se a certeza que algo de surpreendente estava acontecendo através dele. Algumas pessoas, não podendo negar seus milagres, tentaram desmerecer seus feitos. Essa tática não deu certo. Isso me chamou a atenção. Se Deus estava realizando todos aqueles milagres por intermédio de Jesus, Deus estava validando seus ensinamentos assim como outras realizações. Em outras palavras, Deus estava com ele e por meio dele conosco – lembra o EMANUEL, DEUS CONOSCO? É isso que quero dizer.
Sim, já ia me esquecendo. Ele gostava muito de contar histórias. Quanta imaginação! Penso que ele seria um ótimo escritor. Atraia a atenção de crianças e adultos, de aliados à inimigos. Ele narrava essas histórias com tanta convicção, que pude perceber algo: ele possuía a consciência de uma vocação especial. Ele sabia que deveria fazer algo que somente Deus poderia fazer, concertar nosso mundo. Peço desculpas, mas isso me emociona. Sempre que recordo esses eventos me vem lágrimas aos olhos. Deixe me recompor. Onde estávamos? Lembrei!
Alguns dias antes do trágico evento, ele se dirigiu para Jerusalém e contou uma história sobre um proprietário de terra que depois de ter partido havia retornado para encontrar com seus empregados. Sabíamos que o proprietário na história era o Deus de Israel. Ele nos deixou durante o exílio, mas tínhamos a promessa de seu retorno. Não sabíamos quando seria, muito menos como isso ocorreria. Mas era certo que quando isso acontecesse Deus retornaria para a cidade de Jerusalém e se faria presente no templo.
O Espírito criativo de Deus nos pegou de surpresa mais uma vez. Como seria a cena do retorno de Deus? Consegue imaginar? Então preste atenção! Quando Jesus entrou na cidade de Jerusalém montado num jumento e logo em seguida se dirigiu ao templo, pude entender: Deus havia retornado ao seu povo na pessoa desse jovem profeta de Nazaré. Quando compreendi isso, fiquei sem palavras. Brotou dentro de mim um estado de alegria tão grande, que na ausência de palavras, o som que se ouvia era de minhas mãos batendo palmas. Foi um grande ato de um fascinante enredo. Mas isso não é tudo.
Quando recebemos a notícia de sua condenação à cruz, foi como se derramassem um balde de água gelada em nossas cabeças. Um tremendo susto!
Pelo alto grau de maturidade de Jesus, é claro que ele sabia que sua situação em Jerusalém não seria das melhores. Mas inda assim ele foi para lá na época da Páscoa. Não evitou ser preso, nem tentou fugir depois de pego. Agora entendo que sua morte não foi um equívoco, uma tragédia.
Na cruz, Deus, por meio de Jesus, lidou com o mal, puniu o pecado, derrotando-o completamente. Carregou o peso de toda a maldade em seus próprios ombros. Ele conduziu ao seu momento decisivo na cruz, o longo plano do Deus criador de resgatar o mundo do mal e endireitar todas as coisas. A cruz foi o centro do mundo naquela sexta-feira. O lugar onde a dor, vergonha e culpa do mundo se concentraram numa única pessoa.
Se Deus havia retornado para seu povo, por que ele morreria? Ele não deveria trazer justiça e salvação? Como entender sua morte? Isso só foi possível depois de três dias. Veja bem: não bastava a personalidade de Jesus impressionar tanto as pessoas? Não foi suficiente Deus nos surpreender com seu retorno em Jesus? Ter nos dado o susto de sua morte na cruz? O que mais poderíamos esperar? Isso que vou lhe falar, com certeza não esperava: ele, depois de três dias de morto... RESSUSCITOU.
E o que poderia falar disso? Alguns dizem que foi algo inventado. Impossível! Ninguém nunca pensou que o Messias haveria de morrer, quanto mais de ressuscitar. Você acha que se tivéssemos inventado isso colocaríamos as mulheres como as primeiras testemunhas desse evento, sabendo que o testemunho feminino não tinha validade em nossa época? Claro que não. Eu sei, você pode estar pensando: “ressurreição é algo que não acontece atualmente”. Concordo. Em nossa época também. As evidências de que pessoas mortas continuam mortas são sempre as mesmas, não importa o tempo. Não precisamos da ciência para nos ensinar isso. Mas acredite, ele ressuscitou. Não para morrer de novo, como Lázaro, lembra? Ele ressuscitou para uma nova espécie de vida corporal. Ele é o Senhor do mundo. Aleluia!     

O MAL DAS TRAGÉDIAS

Isso é algo que me preocupa, sempre que ouço ou leio declarações de cristãos que buscam explicar uma razão para as tragédias. Desde “Deus sabe o que faz” ao “não entendemos os planos de Deus”, percebo que tais asserções fazem parte da própria realidade do mal, revelando assim, sua absoluta maldade. Digo isso porque o mal das tragédias não está restrito somente à dor do evento ocorrido, mas se estende às próprias explicações do acontecimento trágico.

No imaginário evangélico popular, e até mesmo secular, acredita-se que tudo nesse mundo tem alguma explicação, uma razão de ser, um propósito. Para alguns, a origem explicativa de tais tragédias seria o destino cego, para outros, o Deus revelado na Bíblia. Será? Para os que me conhecem já é de se esperar que a resposta será negativa.

Não penso que a história encontra-se sem direção, ou que não tenha sentido. Não vejo, todavia, como sustentar uma visão de mundo fatalista, onde o que acontece deve necessariamente acontecer. Algumas coisas não deveriam acontecer, e ocorrem mesmo contra a vontade de Deus. Deus dirige a história apesar dos eventos contrários. Deus governa todas as coisas, mas nem por isso dirige, conduz cada ação que ocorre no tempo. Ele conhece tudo o que acontecerá, mas isso não quer dizer que determinou tudo o que acontece.

É bem verdade que nenhum dos propósitos de Deus podem ser frustrados (Jó 42.1). Isso é verdade. Não podemos, agora, absolutizar e afirmar que tudo no mundo acontece com algum propósito divino. Algumas coisas não possuem nenhum sentido ou propósito. Posso afirmar que tudo o que acontece no mundo e tenha relação direta com o caráter de Deus revelado em Jesus, possui um propósito. Mas se algo que acontece, destoa, mesmo que aparentemente do caráter de Deus, é necessária uma revelação objetiva (não o uso de algum texto bíblico) que afirme que o evento em questão coadune com a vontade de Deus, e isso não temos.

Diante da tragédia somos chamados a levar a presença de Deus no lugar onde o mundo sofre, e não fornecer explicações para o ocorrido. O Deus que não explica a tragédia é o mesmo que consola. Diante da dor o lamento é que deve ser ouvido e não alguma explicação para o possível sentido do evento trágico. O mal em si mesmo não faz sentido. “Como pés desfigurados, deformados demais para entrar em sapatos, esses acontecimentos opõem resistência a qualquer sentido positivo. Qualquer sentido positivo que possamos lhes emprestar parece privá-los de sua profunda hediondez”. Miroslav Volf.

Pelas razões expostas acima, em situações trágicas, como a morte de um bebê ou criança, por exemplo, ao invés de falarmos que Deus o levou, deveríamos afirmar que Deus o acolheu em seus braços.