sexta-feira, 25 de outubro de 2013

NÃO SOU BATIZADO MAS QUERO PARTICIPAR DAS DECISÕES DA ASSEMBLEIA DA IGREJA. POSSO?


Por que somente pessoas batizadas podem participar das decisões da igreja local? O simples fato de ser um convertido não seria suficiente para se tornar um partícipe das resoluções da assembleia? O pré-requisito do batismo teria somente fundamentação no estatuto da igreja local, sem nenhuma evidência bíblica? O post de hoje tenta esclarecer as razões bíblicas para estes possíveis questionamento de alguns novos convertidos em igrejas batistas.

Antes de qualquer coisa, deve-se levar em conta que os eruditos do NT são unânimes em afirmar que o batismo era o rito de admissão na comunidade local. Ou como se diz em teologia sistemática: o rito de iniciação do novo crente.

Em Romanos 6.3 Paulo deixa bem claro que os crentes que compunham a igreja em Roma eram batizados. Ele mesmo expõe no texto que havia sido batizado (note o “todos nós”). Isto é significativo pois a igreja em Roma não foi fundada por Paulo. Pressupõe-se com isto, que o batismo era prática de admissão ou incorporação na igreja muito tempo antes de Paulo. Note também que em Cl. 2.13 o apóstolo se dirige aos membros da igreja de Colossos como pessoas batizadas, outra igreja não fundada por Paulo.

Paulo explica em 1Co. 12.13 que o batismo, no que diz respeito a igreja local, nos torna membro do corpo de Cristo. Este batismo é realizado na esfera do Espírito, observe o “em um único Espírito” (NVI). Segundo Bultmann, isto pode ser entendido como fórmula eclesiástica. Assim, podemos falar que alguém passa a fazer parte da igreja invisível, ou universal, quando da aceitação por Cristo. Contudo, a inserção na igreja local, ou visível, se dá somente por meio do Espírito Santo através do rito batismal, logo, neste sentido, algo realmente acontece na vida do salvo (falaremos disto em outro post). Como o erudito do Novo Testamento Oscar Culmann disse sobre esta passagem: “o Espírito atua no próprio ato da incorporação”.

Uma prova bíblica de que o batismo era o rito de admissão na igreja é o texto de At. 2.38,41. Em outras palavras, tornava-se membro da igreja unicamente por meio do batismo. Veja que o texto diz que foram acrescentados à igreja os três mil batizados. O mesmo pode ser dito do acontecimento de At. 2. Nesta passagem fica subentendido que receberam o Espírito Santo aqueles que já haviam sido batizados pelo batismo de João. Ou seja, vivenciaram o cumprimento da declaração de João, o Batista em Mc. 1.8. Observe também que em At. 1.13 a reunião dos apóstolos juntamente com as mulheres, infere-se que eram pessoas batizadas. Se o próprio Jesus havia sido batizado, é impensável que seus discípulos não fossem batizados à exemplo de seu Mestre. A razão disto é que os discípulos de Jesus inicialmente foram discípulos de João, o Batista (cf. Jo. 1.35-40). Este fato serve como corolário de nossa afirmativa.

Tendo isto por assentado, as seguintes passagens se revestirão de toda sua importância. Isto porque o primeiro assunto levado em discussão na igreja – uso este termo aqui em sentido abrangente – foi direcionado à pessoas que já eram batizadas (At. 1.21-23).

Em At. 6.2-6 os Doze se reúnem com os discípulos para resolverem o problema da correta administração da beneficência. Nem é preciso dizer que os Doze eram pessoas batizadas. Mas e os discípulos relatados na passagem? Para esta resposta, basta lembrarmos o que Jesus disse quando da convocação da grande comissão: façam discípulos de toda as nações, BATIZANDO-OS (Mt. 28.19). O discípulo, seria, segundo Jesus, alguém que deveria passar pelo rito do batismo. Com isto, mais uma vez as resoluções da igreja ficaram a cargo de pessoas batizadas. O mesmo pode ser dito em relação ao texto de At. 15.22.

Desta forma fica claro a importância bíblica de se levar assuntos concernentes a igreja somente para a apreciação de crentes batizados. Assim, o assunto ora desenvolvido, antes de ser encarado como questão meramente estatutária, constitui-se na verdade, numa preservação de um costume bíblico neotestamentário. 

terça-feira, 15 de outubro de 2013

"AQUI DEUS SE FAZ PRESENTE"?

Escrevo este artigo como um manifesto em decorrência de alguns crentes que pensam ser a presença de Deus uma espécie de monopólio de suas congregações. É costume nós ouvirmos, ou lermos – o que foi o meu caso – que o fato de ocorrerem algumas manifestações sobrenaturais em seus locais de culto, isto serve como indicativo da atuação divina. Estas pessoas confundem eventos sobrenaturais, e porque não dizer impessoais, com o Deus pessoal revelado na Bíblia.

Quando eles dizem que Deus está aqui – entendam que o “aqui” é na verdade lá – transmitem tanto uma ideia de um deus local – me recuso a usar o termo com d maiúsculo – quanto confundem a presença de um determinado líder como prova da presença divina. Esta teologia não é nada nova. É na verdade a teologia de Naamã. Este pensava que Deus se fazia presente somente no território israelita, daí a necessidade dele levar um pouco de terra para adorar ao SENHOR em outro território (2Rs. 5.15-17).

Outro equívoco é pensar que a realização de eventos miraculosos promovidos por seus líderes servem como demonstração do agir de Deus. Esta mentalidade moderna teria facilmente aprovado com sendo divino os feitos dos magos do Egito, quando do embate com Moisés (Ex. 7.10-12,20-22a). A Bíblia, por sua vez, nunca confunde realizações sobrenaturais com aprovação de conduta. Pode existir um sem o outro. Veja Mt. 7.21-23.

Este seguimento “evangélico” que parece ter o domínio da presença divina deveria buscar compreender a antiga verdade de que Deus embora não seja descontrolado, Ele é INCONTROLÁVEL. Esta é uma característica essencial de sua natureza insondável. Não são poucos os exemplos que temos de cultos que são realizados com propósitos pré-determinados, o que anula a incontrolabilidade de JAVÉ, nome de Deus no Antigo Testamento: culto de milagres, alguns com doenças específicas, celebrações onde se afirmam que ocorrerá uma espécie de novo pentecostes com pessoas batizadas com, no ou sob o Espírito Santo, cultos de libertação, restituição e afins. 

O exemplo maior da natureza incontrolável de Deus se acha no episódio de Ex. 19. Nesta teofania (manifestação de Deus), cujos elementos existentes se caracterizam muito bem com uma erupção vulcânica, serve como demonstração da natureza incontrolável de Javé. Como salientou Antonius Gunneweg, teólogo europeu que possui uma aguçada percepção das verdades bíblicas do Antigo Testamento, sobre a aparição de Deus no Sinai: “Não por último é também um Deus terrível, inacessível e perigoso, como o vulcão sobre o qual se manifesta”. [...] “Nenhum ser humano, porém, pode torná-lo controlável, nenhum mortal é capaz de domar um vulcão ou causar sua erupção, e muito menos dispor sobre um Deus que escolhe soberanamente esse monte como lugar de sua aparição”.

O culto que agrada a Deus não deve ser movido por nenhum propósito pré-determinado exceto o de que Seu Nome seja glorificado. Seu mover será sempre uma possibilidade, seja em cura ou conversão, mas nunca uma necessidade. O essencial não é saber que Deus está aqui, mas se eu estou Nele, pois Deus se faz presente em todos os lugares.