sexta-feira, 11 de setembro de 2015

TE AMO CARA


Costumo emitir minhas opiniões sobre assuntos que tenham relação com Bíblia e teologia. Busco ser objetivo, mas nem por isso imparcial, pois do contrário não poderia emitir minhas opiniões. Nesse novo post, serei o mais pessoal possível, pois não escreverei como teólogo ou pastor, mas sim como pai. Desejo assim, falar sobre a minha experiência nesse universo divino-humano.

Faz algum tempo eu e minha esposa recebemos o diagnóstico de que nosso filho é autista. No início, um choque. Como não costumo revelar (nenhuma relação com pentecostalismo) algumas emoções, mantive a aparente calma. Não houve nenhuma resposta vinda do céu, ou mesmo alguém enviado por Deus para nos trazer alguma palavra (isso faria o texto ficar mais impactante). Somente agora, depois de algum tempo, percebi que não nos veio nenhuma resposta naquele momento porque meu filho não é uma pergunta divina que exige resposta, mas sim um presente de sua graça que nos leva ao agradecimento.

Os avanços que presencio em meu filho são fascinantes. O que poderia ser visto como um desenvolvimento natural para alguns pais, para mim, são sinais da graça de Deus. Ação divina em comportamento meramente humano. Receber um abraço dele, ou mesmo quando ele dá um abraço em alguém, me faz ficar todo orgulhoso. Vê-lo interagir com outras pessoas, mesmo que do seu jeito, é de encher os olhos. Ser chamado de papai, ou quando ele me vê em uma foto e diz: “quem é? “ E logo responde: “é papai”. Enche meu coração de gratidão.

E o que falar de sua forma peculiar em nominar algumas coisas? Olhos é jujuba ou cereal. Poças, o par de sandálias. Sorvete, o pirulito do mercado. Possui um ouvido sensível para qualquer forma de som. Isso faz com que ele aprecie boa música numa altura moderada. Gosto de olha-lo quando está desenhando. Fica todo concentrado (algo que ele sabe fazer como ninguém). Não gosta, é bem verdade, de muita aglomeração, o que o faz parecer muito comigo.

Alguns podem me olhar e pensar que eu sou pai de um autista, de uma criança especial (o que não é uma inverdade). Mas eu me vejo de outra forma: sou simplesmente o pai de Athos. Ele é especial porque é meu filho. Um diagnóstico não o define como pessoa. Como costumo falar com ele: Te amo cara.

2 comentários:

Unknown disse...

Oi primo lindo, parabéns a você e a Lidi pelo privilégio de ter um filho especial, pois todos nós somos especiais para Deus, cada um único e com suas características particulares.
Ter um autista exige muita sensibilidade e Deus realmente escolhe e capacita os escolhidos, por isso é um presente pra vcs e pra todos o que o cercam.
Um grande beijo nessa família linda e abençoada que amamos tanto.

Ana Pinto disse...

Sem palavras,esse texto é apenas uma grande liçao