segunda-feira, 5 de novembro de 2012

ORAÇÃO

INTRODUÇÃO

A oração era uma prática da piedade judaica que possuía uma regra fixa para ser observada. Era costume o judeu orar durante três vezes ao dia. Pela manhã, ao meio-dia e à tarde eram momentos reservados para a oração. O judeu ao orar voltava-se para Jerusalém, se já se encontrava na cidade, virava-se para o Templo, e se estivesse no Templo, ficava de frente para o Santo dos Santos. A oração da manhã recitava-se o Shema Israel, que é o texto de Dt. 6.4-9. O costume de orar ao meio-dia é atestado pelo texto de At. 10.9. A oração da tarde se dava pelas 15h de acordo com At. 3.1.

JESUS COMO MODELO DA PRÁTICA DE ORAÇÃO

A primeira coisa que precisamos compreender ao estudarmos a vida de oração de Jesus é: diferenciar o que é texto descritivo de prescritivo. Muitos defendem a prática da oração no monte com base em Mc. 6.46. Contudo, Jesus não nos ensinou a orarmos no monte, este era seu comportamento. Quando ele diz que lugar devemos nos dirigir para orar, ensina-nos que devemos entrar em nosso quarto (Mt. 6.6), não subir ao monte.

Jesus, como um judeu fiel às tradições, observou as normas estabelecidas para a prática da oração. Tinha sido criado em uma família piedosa (Lc. 2.41). Ele participava regularmente do culto na sinagoga (Lc. 4.16). Contudo, Jesus não se limita ao comportamento das pessoas de sua época.

  • Para Jesus, Deus não é movido pelo acúmulo de palavras como se entendiam nas religiões pagãs. Confere Mt. 6.7. Veja a prática que Jesus está condenando em 1Rs. 18.26; At. 19.34.
  • Ele orava de madrugada, um horário não estabelecido para a oração Mc. 1.35.
  • Orou durante noites inteiras como podemos ler em Lc. 6.12.
  • Jesus sabe agradecer em oração o aparente insucesso do seu ministério quando alguns não aceitaram sua mensagem, Mt. 11.25,26. Confere o texto de 1Co. 1.26ss.
  • Jesus entende que a oração deve ser praticada até nos nossos priores momentos. Veja isto em Mc. 15.34. Jesus está citando em sua oração o início do Sl. 22.1. É um grito de desespero que se baseia também na esperança da continuidade do salmo. Veja os vs. 19-24. Jesus está pensando no salmo como um todo.
  • Jesus intercede pelos que o crucificaram, Lc. 23.34a. Esta atitude está de acordo com o ensino de Mt. 5.43-45. Orar pelos inimigos é demonstração de perdão já concedido.

JESUS E A ORAÇÃO NO GETSÊMANE

A oração feita por Jesus no Getsêmane (Mc. 14.35,36) nos ensina alguns princípios básicos para uma atitude correta ao orarmos.
  • Aprendemos com Cristo que em nossas orações demonstramos para Deus nossa vontade, para em seguida ouvirmos qual será a vontade de Deus. Ver 1Jo. 5.14.
  • Não há espaço para nenhuma espécie de “eu determino” ou “não aceito isto ou aquilo em minha vida”. Ler Hb. 5.7-10.
  • Com a oração no Getsêmani entendemos que existem dois tipos de oração: aquela que busca alcançar sua própria vontade e a que busca ser alcançada pela vontade de Deus. Ao orar, Jesus buscou ser alcançado pela vontade de Deus. Qual é o seu tipo de oração?

Um comentário:

Anônimo disse...

Parabéns pela matéria publicada está muito espiritual e muito bem explicada. - Pr. Marcos D'Avila