sábado, 24 de dezembro de 2016

NATAL

INTRODUÇÃO

Todos nós que somos evangélicos já ficamos um pouco com dúvida sobre a validade ou não da celebração do natal. Depois do crescimento do movimento neopentecostal, muita coisa começou a ser dita sobre o erro que é, cristãos celebrarem uma festa que não tem recomendação bíblica. Muitos dizem que uma árvore de natal é um poste ídolo semelhante aos que existiam nas culturas idólatras da época bíblica. Já ouvi sendo dito pela televisão que os enfeites da árvore de natal têm relação com as cabeças das crianças sacrificadas e que eram penduradas nos galhos das árvores.

O que fazer diante de tudo isso? Vamos por parte. Primeiro devemos jogar fora a água suja da bacia, mas não a criança que está dentro dela. 

COLOCANDO AS COISAS NOS DEVIDOS LUGARES

O natal não é uma festa que se encontra na Bíblia. Não dispomos de uma única recomendação para que os cristãos celebrem o nascimento de Jesus, bem como não há nenhum relato de que a igreja primitiva tenha feito tal celebração. Isso não quer dizer que a festa do natal não possa ser bíblica. Por exemplo: a Bíblia não fala em namoro. Isso quer dizer que não devo namorar? Não. Mas se eu namoro, o meu namoro precisa ser bíblico. O mesmo se dá com a festa do natal. 

A primeira evidência da celebração do natal entre os cristãos vem do séc. III com Hipólito, bispo de Roma. Era uma celebração feita em 2 de janeiro. Foi somente no ano 336 que a data de 25 de dezembro foi proposta. Nessa data era costume em Roma a celebração pagã ao sol invictus. Era a festa da saturnália, ou festa a saturno, o deus sol. Não é tão correto dizer que o natal tem uma origem pagã. A data de 25 de dezembro é que tem essa origem, não a celebração do natal. O natal foi uma festa que substituiu a celebração pagã ao deus sol. 

Não vejo nisso problema algum. Se devemos abandonar a celebração do natal somente porque o dia 25 de dezembro era inicialmente dedicado a uma celebração pagã, teremos que abandonar muitos de nossos hábitos. Eis alguns: 

· Maquiagem. Origem pagã entre os egípcios com o objetivo de afastar os maus espíritos. 

· Festa de aniversário. Os gregos dedicavam bolos com velas a determinados deuses. Acreditava-se que espíritos poderiam fazer mal a pessoa no dia de seu nascimento. Nesse dia os familiares se juntavam com os amigos e ofereciam presentes como meio de proteção. As velas no bolo tinham esse significado também. 

· Aliança de casamento. Os egípcios e os gregos usavam no mesmo dedo que usamos hoje, pois achavam que o terceiro dedo da mão esquerda possuía uma veia que levava diretamente ao coração. 

· Reveillon. A primeira comemoração foi feita na Babilônia. Foi em Roma que se estabeleceu que o primeiro dia do ano novo seria 1º de janeiro. Janus (daí janeiro) era um deus romano, das portas e dos portões. Ele que deveria abrir as portas do ano novo. 

Nós, os cristãos, embora adotemos todas essas práticas (sei muito bem de suas exceções), não o fazemos como pagãos, mas como pessoas que purificaram esses costumes. Para que a cultura seja reformada nós devemos interagir com ela de maneira redentora, não pelo isolamento alienador. Isso se dá também com o natal. Chegamos aqui na famigerada árvore de natal. Sua origem, tão combatida por determinados líderes evangélicos, é incerta. Acreditasse que venha dos países escandinavos, onde era costume ornamentar as casas e colocar um pinheiro nessa época do ano. Sabe-se muito bem o fascínio que o paganismo nutria pelo culto às árvores. Mas não tire conclusões precipitadas. Até onde eu sei ninguém presta culto a árvore de natal em casa. Não atribuímos função religiosa para ela. Não se pode usar Jeremias 10 como se a Bíblia condenasse o seu uso. Isso é uma gritante distorção do texto. Não se forma um ídolo com a árvore de natal, muito menos ela é vista como um ídolo, mas somente como um ornamento dessa época do ano. 

Alguns afirmam que foi Martinho Lutero quem fez uso pela primeira vez de uma árvore na celebração do natal. Diz a lenda que ao andar por uma estrada a noite, Lutero ficou encantado com o brilho das estrelas por entre os galhos de uma árvore. Ele levou para casa um galho de pinheiro e o enfeitou com o objetivo de representar a bela imagem. 

INCOERÊNCIAS DOS NATAL

O problema no natal não está em sua data inicial ter sido uma data pagã, mas em sua atual secularização. É uma época para consumismo. As lojas lucram muito nessa época do ano. Não há problema no consumo assim como nos lucros das lojas. Mas quando associamos o natal a um simples dado econômico, alguma coisa está errada. Todos ganham presente nessa data, menos o aniversariante. A figura do papai Noel superou à do próprio Jesus no natal. O bom velhinho que dá presentes e não o salvador do mundo é que são lembrados. 

SIGNIFICADO BÍBLICO DO NATAL

O natal não é simplesmente a comemoração do nascimento de uma criança, é a celebração da encarnação do Deus verdadeiro que se fez homem. É Deus entrando em nossa história de maneira pessoal. Ele está desembarcando num terreno que se tornou hostil a sua presença. Em meio a pessoas que voltaram suas costas para ele. Ele vem na verdade para uma operação de resgate. Na verdade, um resgate muito arriscado, isso porque ele vem como um recém-nascido. Mas não se iluda, ele é o Messias, o rei prometido, o Senhor de toda a criação (Lc. 2.8-18). 

A antiga promessa de Gn. 3.15 foi o disparo do cronômetro para o grande cumprimento desse plano. Milhares de anos se passariam. Mas na hora certa, no ano certo, na cidade certa e com os pais certos ele surgiu (Gl. 4.4-7). 

O natal é mais que o simples desejar boas festas, ou votos de felicidades. É a poderosa notícia de que o salvador veio a esse mundo. Deus arregaçou suas mangas e mostrou seu braço forte como bem disse Isaias 52.7-10 (A MENSAGEM). Mas essa imagem do braço forte de Deus em Isaias faz contraste com o braço frágil da criança na manjedoura. Mas com o tempo esse braço frágil iria adquirir músculos. Esse braço, com o tempo se mostrou poderoso para curar enfermos, conceder perdão de pecados, para abençoar refeições, para restaurar vidas. Esse braço do Senhor se mostrou poderoso quando foi estendido e pregado na cruz. Se mostrou poderoso para abençoar seus discípulos após sua ressurreição. E se mostra atualmente poderoso governando o nosso mundo. E se mostrará mais uma vez poderoso quando voltar para aniquilar todo o mal em sua criação. 

Celebremos o natal. “Aquele que foi colocado no útero de Maria pelo Espírito Santo; na manjedoura pelas mãos de Maria; na cruz pelos soldados romanos e na sepultura por José de Arimateia”. Celebremos o natal. “Pois o útero ficou vazio; a manjedoura está vazia, a cruz ficou vazia e a sepultura se encontra vazia”. Mas o céu e a terra bem como nossos corações estão cheios de sua presença. 

Celebremos todos o natal.

Um comentário:

Eis-me aqui disse...

Meu amigo, estou certo de que a gente aprende muito quando humildemente ouvimos/lemos gastando tempo refletindo sobre as motivações por trás de questões como estás. Obrigado