segunda-feira, 3 de junho de 2013

A CEIA "NOSSA" DE CADA MÊS

É impressionante como alguns de nossos sentimentos religiosos ainda são influenciados por uma mentalidade católica. Uso como exemplo a ceia do Senhor. Ninguém em sã consciência pode negar sua importância na celebração durante o culto. Não obstante, não podemos cometer o erro da deificação da cerimônia em si, tornando-a um ídolo. Não é a cerimônia que deve ser reverenciada, mas sim Deus por meio desta celebração.

Precisamos mudar nossa práxis pastoral no que diz respeito às pessoas que não podem participar da ceia por questão de saúde ou coisas afins. Temos o costume de dizer: levaremos a ceia para fulano de tal. No entanto, a ceia não se leva, pois ela é, exclusivamente, celebração em conjunto – em outras palavras, igreja reunida. O mais viável é que alguns irmãos celebrem a ceia do Senhor com aquele que não tem condições de se encontrar com os demais irmãos reunidos na igreja local. Ninguém, após a participação em um aniversário diz: vou levar este aniversário para fulano. Ou diz? Pode-se até levar parte do bolo, mas aquele bolo não é o aniversário em si mesmo. Assim, mesmo que se leve os elementos, pão e suco de uva, estes não constituem a ceia propriamente dita. A ceia no contexto do Novo Testamento sempre foi celebração comunitária (1Co. 11.18ss).

Outro indicativo de natureza supersticiosa em muitos crentes, no que diz respeito ao entendimento da ceia, é a não participação em alguns momentos. Muitos ficam sem participar da ceia em várias ocasiões porque teve alguma desavença com um irmão ou porque cometeu algum outro pecado. O mesmo não acontece em outros cultos onde não se celebra a ceia. Mais uma vez volto a falar: não existe o culto da ceia, mas sim a ceia no culto. Ela é parte de um todo maior, a adoração a Deus.

Com isto, quero dizer que aquele que não se encontra em condições de participar da ceia, não se acha em condições também de participar de qualquer culto (Mt. 5.23,24; cf. Is. 1.11ss). A presença de Cristo no instante da ceia – não nos elementos – é a mesma dos demais momentos de adoração. Ele não se encontra mais presente em um que no outro (Mt. 18.20). A ceia não é um culto à parte, antes, faz parte do culto. Logo, a necessidade de se cumprir os pré-requisitos para a sua participação, entender que a igreja, o corpo de Cristo, só pode existir como uma unidade integral, e não fragmentada, pois este é o significado do “discernir o corpo do Senhor” em 1Co. 11.29 é a mesma para os demais cultos (Mt. 5.23,24). A ceia não produz a unidade da igreja, muito menos a união com Cristo, pelo contrário, ela revela.

Que possamos, por meio desta breve reflexão mudar muitos de nossos comportamentos, que insistimos em denomina-los de “evangélicos".

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