quarta-feira, 11 de agosto de 2010

APOCALIPSE


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O livro do Apocalipse na mente de muitas pessoas é sinônimo de terror. Quem nunca ficou intrigado com a representação gráfica dos gafanhotos, cavaleiros, besta do mar e da terra, chifres e afins? O próprio título do livro serve como termo para denominar grandes catástrofes. Não é sem motivo que o livro do Apocalipse seja pouco lido nas igrejas.
O grau de aceitação do Apocalipse será proporcional a sua demitização, quando o escoimarmos do estigma adquirido ao longo do tempo que o tornou em literatura obscura e sem sentido.
A palavra αποκάλυψις (apocalipse) significa simplesmente revelação. O que no dizer de Emil Brunner é o “autodesvendamento de Deus”. É o tornar algo conhecido somente por meio da ação divina.
O autor do escrito se identifica como João. A tradição da igreja antiga, em especial Justino e Clemente de Alexandria, entendia que o João do Apocalipse era o apóstolo, filho de Zebedeu. Irineu entendeu, contrariando o pensamento de Justino que este João era o mesmo que escreveu o quarto evangelho. Já o bispo Dionísio de Alexandria (séc. III), afirmava que o autor do Apocalipse não poderia ser o mesmo que escreveu o quarto evangelho, pois a diferença de estilo nos dois escritos era muito evidente.
Assim, o autor do Apocalipse seria o João de Éfeso, não o apóstolo do quarto evangelho. Esta posição é bastante possível de ser verdadeira, pois o João do Apocalipse não se inclui no círculo dos 12 apóstolos (cf. Ap. 21.14). Por outro lado, ele se autodenomina profeta (Ap. 10.10-11).
Os apocalipses eram escritos secretos, somente alguns felizardos tomavam conhecimento. O apocalipse de João, por sua vez, deveria ser lido no culto público (cf. Ap. 1.3).
O livro tem um objetivo muito claro: alertar seus leitores sobre a espera do fim. Enquanto Daniel fomenta uma atitude de tranqüilidade em suas visões, pois o que ele relata somente acontecerá “nos últimos dias” (Dn. 2.26-27; cf. Dn 12 e veja que o próprio Daniel não participará dos acontecimentos finais), o apocalipse, por outro lado, descreve “o que em breve há de acontecer” (Ap. 1.1). João, assim como Daniel, quer tranquilizar seus leitores, mas ao contrário daquele alertar sobre a urgência do fim.
Sendo o fim uma realidade próxima, João informa que o Dragão possui pouco tempo para suas investidas (Ap. 12.12; Cf. 20.3). Não menos tempo possui as comunidades e o mundo para uma busca de mudança de vida. Com isto em mente pode-se compreender a descrição de Jesus batendo à porta da igreja em Ap. 3.20, ou o chamado de todos os povos para temer e adorar “aquele que fez os céus, a terra, o mar e as fontes das águas” Ap. 14.6. Os alertas não devem ser ignorados, pois o dia do juízo está próximo (Ap. 11.18).
Se o objetivo do apocalipse é alertar os crentes sobre a proximidade do fim, não menos importante é o seu conceito, pois este deve ser compreendido como pessoal, o encontro glorioso com o Senhor Jesus Cristo (Ap. 22.12,20), não a expectativa desesperada pela destruição do cosmo criado.
Vivemos um momento onde muitos tentam prever o fim da história. O livro do apocalipse serve como literatura que propõe uma nova perspectiva, a esperança do fim, não o fim de toda esperança. O que para muitos é o fim de tudo, para os salvos é o início de um novo começo (Ap. 21-22).     

Um comentário:

Blog DO Lucas disse...

Paz amados!
Venho saber se tem alguma possibilidade de parcerias entre nossas paginas, por meio de divulgação de banner ou algo que sejá proposto.Vejo que nossas paginas tem um mesmo sentido divulgar o nome de nosso senhor!
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Aguardo seu retorno, Paz....


Lucas Pôrto